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Já há novos nomes distintos?

em 19/03/24


Quando criei este blog, em 2009, a frase em destaque no cabeçalho era "Porque uma criança única merece um nome exclusivo". Na altura, eu andava obcecada com a lista de nomes admitidos e não admitidos em Portugal e os conteúdos baseavam-se sobretudo na exploração dos novos nomes que ia descobrindo e na busca incessante de alternativas a Beatriz, Leonor, Matilde, Afonso, Martim & Rodrigo. Quando releio esses posts iniciais, fica bem patente a ingenuidade com que comecei mas, a realidade é que eu acreditava mesmo que era possível escolher um nome bonito, diferente e pouco popular e que as pessoas só não o faziam, porque não sabiam que podiam!😅 

Exclusivo, para mim, era sinónimo de "pouco popular" mas rapidamente percebi que, naquela altura, as pessoas estavam saturadas dos nomes da geração de 80 e 90, voltando-se para as nossas raízes, sendo claríssima a tendência para os nomes aristocráticos. E esses sim, eram vistos como nomes "exclusivos", porque a maioria deles, efetivamente, só se ouviam em meios mais requintados, à falta de melhor palavra. Os nomes da monarquia eram os nomes distintos e credíveis de que tanto precisávamos para abafar os ânimos novelescos das gerações anteriores. E foi assim que, por longos anos, os nomes medievais, aristocráticos, da monarquia, foram predominando nos rankings, ao ponto de, agora, deixarem de ser vistos da mesma forma. Falamos sobre sobre isso recentemente e até criamos a lista de Nomes Betinhos de 2023

Realisticamente, acho que as referências de elitismo se mantêm nos dias de hoje; no entanto, o Rodrigo e a Beatriz, nascidos em 1995, cresceram rodeados destes nomes e, chegada a hora de escolher o nome para o seu bebé, já não é bem isto que pretendem. A questão é: mas então, o que é que os pais de hoje valorizam? E pensando mais em nomes vintage e retro, que nomes poderiam poderiam ser incluídos numa lista de nomes distintos

Não tenham medo de escolher o vosso nome preferido!

em 28/02/24


Há dias, quando vos trouxe uma lista de nomes modernos, recebi algumas mensagens no Instagram de mulheres que diziam que gostavam de alguns desses nomes mas não teriam coragem de usar porque a família não veria essa opção com bons olhos. Recebo este tipo de mensagens desde 2010 e se antigamente a minha resposta era mais teórica, hoje posso-vos dar uma resposta cheia de prática. 

Desde que fui mãe pela primeira vez, fiquei ainda mais certa do interesse em torno da escolha do nome. Quase toda a gente quer saber a escolha e estranham se não tivermos o nome definido assim que a barriga se torna evidente; quase toda a gente sente necessidade de deixar claro o que pensam do nome e enunciar todos os seus defeitos. Quase toda a gente tem à mão uma listinha de alternativas, mesmo que em momento algum tenha sido solicitada. 


Se eu acho que isto é feito com maldade? Não, de todo. [Mas, e falo com conhecimento de causa, ninguém esquece um comentário insensível feito a respeito do nome que escolhemos com tanto carinho para o nosso bebé. Ainda há dias me aconteceu, a pessoa achava que estava a ser super discreta ao comentar com as colegas mas eu percebi claramente que estava a referir-se ao nome da minha filha e fiquei chateada com aquilo durante umas horas, portanto, aprendamos todos a ser mais empáticos...]  


Apesar de tudo, acho que podemos concordar que, na maioria dos casos, este zumzum desaparece ali por volta do primeiro mês de vida do bebé, quando já toda a gente sabe o nome e teve tempo para digerir a nossa escolha, tenha ela sido João ou Jerónimo. Passa o efeito surpresa, passa a novidade, surge outra grávida no horizonte e aquilo que parecia  o debate da nação simplesmente cai no esquecimento. 

E é por isso que eu acho importante relembrar aqueles que se vão estrear na maternidade e paternidade que a escolha deve refletir o seu gosto e não o de terceiros, até porque é bem possível que esses terceiros passem a detestar um nome que amavam meia dúzia de semanas antes e que depois se apaixonem pelo nome que achavam horroroso, porque simplesmente se habituaram a ele. 

Desse lado, com foi a experiência com a partilha do nome? Subscrevem esta ideia de que, em pouco tempo, já ninguém toca no assunto? A vossa autoconfiança aumentou ou diminuiu durante a escolha do nome do segundo filho? 

E os que não têm filhos, receiam ceder a pressões externas? O facto de terem interesse pela temática tranquiliza-vos ou causa-vos ainda mais ansiedade? 

Alice, Benedita & Camila são as novas Beatriz, Matilde e Leonor?

em 25/01/24


Em 2012, escrevi um texto que teve um enorme feedback ao longo dos anos e em que lançava a pergunta "Serão Clara, Alice e Eva as próximas Beatriz, Matilde e Leonor?" e acho que é um bom momento para voltar a ele, porque acho que já é possível afirmar que, a haver um novo reinado, ele parece pertencer a Alice, Benedita e Camila. 


Então, onde é que errei e por que é que errei?

Comecemos logo pelo título. Apesar de conhecer bem as tendências portuguesas e de saber que as mudanças no topo do ranking são muito lentas, não sei se, na altura em que o escrevi, imaginaria que, 12 anos depois, Leonor e Matilde ainda estariam de pedra e cal no top 5. Portanto, não houve propriamente uma substituição, mas em minha defesa, reparem: desde 1920, só tivemos 24 nomes femininos no top 5 e, se afunilarmos para o top 3, a lista fica reduzida a 13 nomes: Ana, Maria, Alice, Beatriz, Joana, Leonor, Matilde, Rosa, Carla, Inês, Isabel, Mariana e Sara! Acho que é visível que há uma mudança de paradigma, mas ainda não foi suficiente para provocar grandes mudanças no topo da lista...


O erro número dois das minhas previsões fica evidente logo no primeiro parágrafo do texto, quando defini que os próximos nomes a atacar o ranking possivelmente já estariam no top 30, o que deixou de parte aqueles que viriam a ser, afinal, dois dos elementos do trio de ataque.  

Olhando para trás, percebo por que o fiz. Na altura, Clara, Alice e Eva levavam dez posições de avanço em relação a Camila, o que se traduzia numa diferença de quase 200 registos anuais. Em retrospectiva, deve-me ter parecido imenso, mas Camila só precisou de dois anos para ultrapassar Eva e, dez anos depois de o post ter sido escrito, Camila chegava ao top 10, deixando Clara também para trás! 


Aqui chegados, Eva está então fora do baralho. Mas não foram só tiros ao lado, já que no post propunha que estes três nomes tinham potencial para chegar ao top 3 e Alice já lá chegou, destronando para isso os três nomes dominantes da década anterior. É um resultado incrível, como já pudemos comprovar acima! 


E o que dizer de Benedita? Em 2012, creio poucos acreditariam na possibilidade de o ver num top 10. Estava em manifesta ascensão, recém chegado ao top 50, estava definitivamente no meu radar, mas era um nome que causava reacções fortes e, ou se amava, ou se odiava, coisa que não costuma favorecer uma subida repentina no ranking. Eu achava que Benedita seria a próxima Madalena, mas tornou-se tão mais popular que isso! 


Para além da questão da falta de crença nos nomes fora do top 30, acho que também falhei na previsão de que estaríamos mais inclinados para nomes mais curtos e, de momento, todos os nomes femininos do top 10 têm, pelo menos, três sílabas. 


Falta então falar de Clara, que deixei propositadamente para o fim. Se leram o meu post sobre Francisca e Maria Francisca, talvez já consigam adivinhar que tenho algumas reservas em relação à real popularidade de Clara... Como estamos a falar de nomes simples, dou o caso como perdido e, efetivamente, Clara não se impôs, está fora do top 10 e é uma previsão errada. Mas tal como acontece com Francisca, eu acho que o cenário seria outro se Maria Clara entrasse na equação... 


Olhando para o ranking, podemos concluir que há quatro nomes em ascensão, sendo eles Alice, Benedita, Francisca e Camila; se estamos à procura do trio dominante, então eu inclino-me para deixar cair Francisca, que é um clássico que já estava no top 20 em 2009 e elejo Alice, Benedita e Camila. 

E na vossa opinião, quais são os três nomes do momento? 

Os nomes masculinos da moda em 2022

em 20/07/22


No post anterior, falei-vos dos nomes femininos da geração de 90 - geração esta que, segundo os dados oficiais, está agora a escolher o nome para o seu primeiro bebé. Sabemos que as mães se chamam sobretudo Daniela, Sara ou Jéssica e hoje olhamos para o top 20 masculino de 1993, para perceber quais são os nomes dos pais... 


  1. João
  2. Pedro
  3. Tiago
  4. André
  5. José
  6. Ricardo
  7. Fábio
  8. Diogo
  9. Luís
  10. Bruno
  11. Daniel
  12. Rui
  13. Carlos
  14. Miguel
  15. Rúben
  16. Paulo
  17. David
  18. Nuno
  19. Filipe
  20. Marco


Destes nomes, apenas João, Pedro e Miguel se mantêm no top 20 de 2021, que iremos agora usar para perceber quais são os nomes masculinos da moda. Então, olhando para o último top 20 disponível, sugiro que excluam estes três mega populares e que eliminem os nomes que já estavam no top 20 em 2013:


  1. Francisco
  2. João
  3. Duarte
  4. Afonso
  5. Tomás
  6. Lourenço
  7. Santiago
  8. Gabriel
  9. Martim
  10. Miguel
  11. Mateus
  12. Vicente
  13. Guilherme
  14. Lucas
  15. Rodrigo
  16. Salvador
  17. Pedro
  18. Dinis
  19. Gonçalo
  20. Rafael


Para quem segue o blog, este resultado também não constitui nenhuma surpresa, já que foram nomes bastante esmiuçados por aqui nos últimos anos, mas para quem aqui aparece agora à procura de entender o que é isto de um nome popular, fica a dica: estes são os nomes masculinos que até vos podem parecer novidade, porque provavelmente não conhecem adultos com estes nomes e se não vivem rodeados de crianças, também não os escutam muito; porém, estes são os nomes mais ouvidos nas maternidades deste país. São os nomes da moda, ainda que menos populares do que outros, mas esses outros ouvem-se há tanto tempo que quase nem damos por eles. Fixem então o seguinte grupinho: 


  • Lourenço
  • Mateus
  • Vicente
  • Salvador

Os nomes femininos da moda em 2022

em 19/07/22


Os dados oficiais dizem-nos que, em Portugal, as mulheres têm o seu primeiro filho com 30 anos. Quando comecei a escrever o blog, escrevia-o sobretudo para a geração de 80, para mães que viam Beatriz como o nome perfeito mas não o queriam usar por ser demasiado popular. 

Hoje, as mães que por aqui passam já pertencem em grande parte à geração de 90. As suas referências já são outras, muitas delas nem fazem associações que a geração anterior fazia - falamos sobre isso neste post sobre os nomes preferidos da Geração de 90 - e os seus próprios nomes também são diferentes. Algumas delas, até se chamam Beatriz! 

E é a pensar nestas mães, que seguramente não terão paciência para vasculhar  mais de dez anos de arquivo, nem de ler todos os posts em que fui assinalando as tendências emergentes à medida que as íamos detectando, que escrevo este pequeno resumo, que poderá ser útil para quem quer perceber um bocadinho desta dinâmica dos nomes populares. 

Então, em 1993, Ana ainda era o nome mais registado anualmente, seguido de Joana, mas foi nesta altura que Jéssica explodiu, foi nesse ano que Beatriz chegou ao top 20, subindo 40 lugares, que Tatiana começou a encaminhar-se para o top 20, tal como Bruna. 

A título de curiosidade, deixo-vos o top 20 de 1993: 


  1. Ana
  2. Joana
  3. Maria
  4. Daniela
  5. Sara
  6. Jéssica
  7. Inês
  8. Patrícia
  9. Andreia
  10. Catarina
  11. Cátia
  12. Diana
  13. Mariana
  14. Vanessa
  15. Marta
  16. Cláudia
  17. Tânia
  18. Liliana
  19. Rita
  20. Sofia

Está aqui o vosso nome? O nome das vossas amigas? É bem possível que sim! Mas olhemos agora para o top 20 de 2021. Reparem que, desta lista, há cinco que permanecem no top 20 de 2021, o que é um bom indicador da sua enorme popularidade, a saber, Ana & Maria e Inês, Mariana e Sofia. Vamos riscá-los, quer seja porque sabemos que não deixarão de se usar, como é o caso dos super clássicos Maria e Ana, quer seja porque sabemos de antemão que há numa tendência para fugir dos nomes que nos acompanharam na infância. 
Excluamos aqueles que já estavam no top 20 em 2013 [Carolina, Madalena, Francisca, Laura, Margarida, Lara e Diana] e que hoje já consideramos clássicos contemporâneos e apaguemos ainda os três nomes que marcam as gerações mais recentes de meninas - Leonor, Matilde e Beatriz.

  1. Maria
  2. Leonor
  3. Matilde
  4. Alice
  5. Carolina
  6. Benedita
  7. Beatriz
  8. Francisca
  9. Mariana
  10. Laura
  11. Margarida
  12. Sofia
  13. Ana
  14. Madalena
  15. Inês
  16. Camila
  17. Clara
  18. Constança
  19. Lara
  20. Diana


Pois bem, sobram cinco nomes, que irão certamente dominar os tops a médio prazo e que vão certamente acabar por influenciar as escolhas da geração de 90: 

  • Alice
  • Benedita
  • Camila
  • Clara 
  • Constança


Se quiserem aprofundar o tema, aconselho a leitura de Os nomes da década Os nomes do momento para meninas